quinta-feira, 5 de maio de 2011

Livro traz a história e o estado da arte da Geologia do Brasil

Luiz SugimotoFotos: Antonio Scarpinetti
Os organizadores do livro: Andréa Bartorelli,
Celso Dal Ré Carneiro, Yociteru Hasui
e Fernando Flávio Marques de Almeida

[3/5/2011] Mais que um livro, Geologia do Brasil é um documento sobre o estado atual do conhecimento geológico do território nacional, organizado por Celso Dal Ré Carneiro, Fernando Flávio Marques de Almeida, Yociteru Hasui e Andréa Bartorelli, que resumem na introdução: “O livro é uma síntese de modelos e informações atualizadas da Geologia do Brasil, gerados por seus principais estudiosos, com exemplos brasileiros de uma série de conceitos de Geologia básica, organizados sob perspectiva temporal, que se estende desde os tempos primitivos, até o passado antigo e a conformação moderna da paisagem”.

Celso Dal Ré Carneiro é docente do Instituto de Geociências (IG) da Unicamp e conta um pouco da história da geologia no Brasil, que em sua opinião se desenvolve de modo oscilante. “Há épocas de grande investimento e outras em que ele reflui. Tivemos uma Comissão Nacional Geográfica e Geológica criada apenas na virada para o século 20 e que deu origem ao Serviço Geológico do Brasil. Já o serviço dos Estados Unidos existe desde 1839, fundado para acompanhar a expansão da massa de colonizadores para o oeste americano – o governo, necessitando atestar se havia recursos nas terras que distribuía, foi pressionado a investir na geologia”.

Carneiro afirma que os cursos de geologia também demoraram a surgir no país, o que ocorreu a partir da criação da Petrobras, com uma campanha visando à formação de geólogos para a busca de petróleo. “Monteiro Lobato descreveu fatos como a vinda de americanos para nos convencer de que o Brasil nunca encontraria petróleo e que não adiantava o investimento. Mas o governo persistiu e, em 1956/57, surgiram os seis primeiros cursos. Os anos 70 foram ricos, com grande avanço na área. Depois da década perdida de 80, por causa do retrocesso econômico, a geologia voltou a crescer por força das universidades, órgãos de pesquisa e empresas, e agora por força do pré-sal”.

Periodicamente, segundo o docente do IG, é produzida uma obra de referência procurando sintetizar o conhecimento geológico do nosso território, acompanhando a publicação da carta geológica do país. “A última carta foi produzida em 2000 pela CPRM [Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, que guarda as atribuições do Serviço Geológico do Brasil]. São 46 DVDs com todos os mapas do território, unidades que precisam ser descritas para mostrar algo como o estado da arte da geologia. Antes, foram publicados dois livros sobre Geologia do Brasil: o primeiro cobrindo o período Pré-Cambriano, que vai da origem da Terra até 542 milhões de anos atrás, e o outro sobre o período Fanerozóico, que é das bacias sedimentares. Ambos são de 1984 e estão esgotados – e ultrapassados”.

Segundo Celso Carneiro, a ideia de produzir um novo volume de Geologia do Brasil surgiu a partir de outro título que ajudou a organizar, Geologia do continente sul-americano – Evolução da obra de Fernando Flávio Marques de Almeida, lançado em 2004. “O professor Fernando Almeida foi homenageado pela Unicamp com o título de Doutor Honoris Causa em 1991, sendo de longe o maior geólogo brasileiro. Está com 95 anos de idade e atuante. Trabalho com ele desde que me formei na USP, primeiro como seu assistente e depois no IPT [Instituto de Pesquisas Tecnológicas] por 18 anos”.

O professor da Unicamp lembra que vários especialistas se dispuseram prontamente a contribuir, sendo que os capítulos do livro estão prontos desde 2008. “Ocorre que o livro não é comercial e dependemos de patrocínio. Como na obra sobre o professor Almeida, recorremos novamente à Petrobras, que, no entanto, deu a entender que queria a inclusão de geologia básica, com temas como do aquecimento global. Levamos o ano de 2010 para definir que ficaríamos com este livro, que será lançado no Congresso Brasileiro de Geologia do próximo ano, e depois produziríamos um segundo título”.

Celso Carneiro editou por oito anos a Revista Brasileira de Geociências – outra criação de Fernando Almeida e até hoje a mais importante publicação do país na área – e agora está à frente de uma revista da Unicamp, a Terrae Didática. Respaldado por esta experiência na edição, o professor assegura que o conteúdo de Geografia do Brasil não será em ‘geologuês’, facilitando a compreensão por pessoas pouco familiarizadas com as especialidades das ciências da terra. “Temos a obrigação de divulgar a geologia. É um trabalho que não conta para o Currículo Lattes, mas igualmente importante”.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

domingo, 24 de abril de 2011

O legado do Dr. das Águas, Aldo Rebouças, em São Paulo



Como a água é um bem fundamental para a vida do ser humano e todo o seu ambiente, temos que criar a consciência de que é um bem finito e que tem que se usado com inteligência e responsabilidade” – Aldo Rebouças (1937-2011
As cinzas serão mergulhadas nas águas do mar para onde correm todos os rios. Uma nobre homenagem ao professor Aldo Rebouças, que morreu dia 18 de abril, segunda-feira, aos 73 anos, em São Paulo, cidade na qual vivia desde o convite para trazer seu conhecimento à USP, na década de 1970.

Cearense de Peixe Gordo, se formou em geologia pela Universidade Federal de Pernambuco, em Recife, em 1962. Fez mestrado e doutorado pela Universite de Strasbourg, na França. E pós-doutorado pela Stanford University, nos Estados Unidos.

Muito antes de as preocupações sobre a escassez e tratamento das águas chegarem às autoridades e aos meios de comunicação, Aldo Rebouças já usava sua voz firme e discurso sincero para alertar o mundo sobre como estas questões afetariam a qualidade da oferta do produto.

Criticava duramente a ideia de que a água era abundante, inesgotável e gratuita. Uma falácia que, sabia bem, acabaria por levar ao uso desregrado e impróprio deste recurso que, atualmente, falta para ao menos um bilhão de pessoas e causa a morte de mais alguns milhares pelo Planeta.

Rebouças, este sim, era uma fonte abundante, inesgotável e gratuita de informação.

Entrevistei-o pela primeira vez na época em que trabalhei na TV Cultura, nos anos 90, quando o assunto ganhava espaço na agenda jornalística. Sempre se apresentava no estúdio com documentos e registros que respaldavam suas teses.

Nunca mais perdi seu contato e sempre explorei da capacidade – e paciência – dele para explicar ao público como era possível, por exemplo, a cidade de São Paulo ficar embaixo d’água no verão e sofrer com sua escassez no inverno.

Ensinava que o problema daqui – assim como do restante do Brasil – era a má gestão dos recursos hídricos.

A cidade é contemplada com dois grandes rios, Tietê e Pinheiros, mais uma centena de rios menores e córregos que cortam nossa geografia. Temos, ainda, duas enormes represas, Billings e Guarapiranga. Por outro lado, decidimos ocupar suas várzeas, retificamos seus leitos, encobrimos seus vãos e os transformamos em impressionantes latas de lixo.

Não bastasse isso, consumimos mais do que o recomendado. Hoje, somos perto de 15 milhões de pessoas morando neste ambiente urbano consumindo, em média, 80 litros de água para as necessidades domésticas, todos os dias. Apesar da aparente oferta, somos obrigados a “importar” o recurso de Minas Gerais, pois nossos mananciais não dão mais conta do recado. Também se perde parte da água tratada no caminho das casas, por falta de manutenção das redes públicas.

Professor Rebouças sempre denunciou este cenário. Mas fez muito mais.

Ele próprio diz que sua maior contribuição foi descrever o aquífero Guarani, um manancial de água doce subterrânea que se estende por 1,2 milhão de km2 pelo Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. Até seus estudos, a hidrografia reconhecia apenas uma parcela desta água, no aquífero Botucatu.

Colocaria em seu legado, também, o ensinamento que transmitiu a uma legião de jornalistas que o procurava na busca do seu conhecimento. Aldo Rebouças nos atendia sempre e falava de forma didática, sem meias palavras, com linguajar próximo do público. Às vezes, se estendia nas respostas, além do que o tempo do rádio permitia, pois não queria perder a oportunidade de catequizar o cidadão sobre a questão das águas. Respeitosamente, o ouvia até a última palavra.

Há alguns anos, ao procurá-lo fiquei sabendo que sofria de Parkison e estava com dificuldade para falar. Nesta semana, com muita tristeza, recebi a notícia da morte dele por falência respiratória.

A missão de Aldo Rebouças, porém, não se encerrou. Seus ensinamentos contaminaram uma quantidade enorme de pesquisadores, estudiosos e cidadãos. Cabe a estes, agora, levar a frente a ideia da proteção dos recursos hídricos – nesta que seria a mais significativa de todas as homenagens ao Doutor das Águas

terça-feira, 12 de abril de 2011

Japão eleva ao máximo nível do desastre nuclear em Fukushima

Nível passou de 5 a 7,
 informou a Agência de Segurança Nuclear do Japão.
Com isso, acidente em Fukushima se iguala ao de Chernobyl, em 1986.

A Agência de Segurança Nuclear do Japão elevou, nesta terça-feira (12), o nível do desastre nuclear na central atômica de Fukushima Daiichi de 5 ao máximo 7, e confirmou que a usina lançou uma quantidade enorme de substâncias radioativas na atmosfera durante um período após os desastres naturais que atingiram o país em 11 de março, deixando mais de 13 mil mortos.

Com a nova avaliação dos japoneses, o acidente em Fukushima se igualaria ao de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986.

De acordo com a agência, o índice reflete a gravidade inicial do acidente e não o momento atual. Segundo o governo japonês, caíram drasticamente os níveis de radiação no complexo. O Japão admite ainda que se esforça para recuperar o controle total do complexo.
 saiba mais

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou, em Viena, Áustria, o alerta da Agência de Segurança Nuclear do Japão sobre a gravidade do acidente em Fukushima.
 Por meio de comunicado, informou que o nível do desastre atingiu qualificação máxima: 7, na Escala Internacional Nuclear (INES).
 Anteriormente, a agência de notícias local Kyodo informou que a Comissão de Segurança Nuclear do governo estimou que a quantidade de material radioativo que vazou dos reatores de Fukushima chegou ao máximo de 10.000 terabequerels por hora em um determinado ponto por diversas horas, o que classificaria o incidente como um grande acidente, de acordo com a escala internacional de intensidade Ines.
 O Japão já tinha classificado o acidente nos reatores operados pela Tokyo Electric Power Co (Tepco), cujos engenheiros ainda tentam estabilizar a usina, como nível 5, o mesmo estabelecido no acidente de 1979 em Three Mile Island, nos Estados Unidos.
 Em 11 de março, um terremoto de magnitude 9 seguido por um tsunami danificou os reatores do complexo nuclear Fukushima Daiichi, que desde então tem sofrido com vazamentos radioativos.

China
O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, disse ao premiê japonês, Naoto Kan, que estava 'preocupado' com a emissão de radiação ao oceano e pediu ao governo japonês que considere 'muito seriamente' o impacto do vazamento nuclear no ambiente marinho e nos países vizinhos.


Os comentários de Wen, publicados no site oficial do governo, ressaltam as preocupações da China com a crise nuclear no Japão, especialmente depois de o país ter despejado água radioativa no mar.

'O governo e o povo chinês expressam sua preocupação com isso, e pedem ao governo japonês para que dê alta importância ao impacto dessa questão no ambiente marítimo e principalmente nos países vizinhos, cumpra rigorosamente com a lei internacional referente ao assunto e tome medidas efetivas de controle e prevenção, além de informar imediatamente, de forma compreensiva e precisa, sobre a situação à China', disse Wen em comunicado.

Wen disse que o primeiro-ministro japonês havia 'lamentado' o acidente nuclear e garantiu ao premiê chinês que o Japão iria divulgar informações rápidas e precisas sobre o acidente.

Níveis de radiação - Fukushima 7 (Foto: Arte/G1)

Efeitos da radiação nuclear sobre a saúde humana (Foto: Arte/G1)

VALE ESTE MAGNITUDE REVISADO - Entenda o terremoto no Japão (Foto: Arte/G1)

(*) Com informações das agências de notícias Efe e Reuters

domingo, 3 de abril de 2011

Água radioativa vaza de Fukushima e preocupa as autoridades japonesas

Fontes da empresa Tepco informaram que o nível de radioatividade no local alcançou mais de 1 mil milisievert por hora. A 40 quilômetros de Fukushima, o Ministério de Ciência japonês diz ter detectado o dobro do nível normal de Iodo-131
A empresa de energia japonesa Tokyo Electric Power (Tepco), que opera a usina nuclear de Fukushima Daiichi, confirmou neste sábado (2) ovazamento para o mar de água com elevado nível de radioatividade. O líquido vazou do reator de número 2 da central, por uma rachadura de cerca de 20 centímetros, e já contaminou bastante a água do oceano As autoridades japonesas se disseram preocupadas, e temem pelo alcance da radioatividade agora que está no mar.


Divulgação/Tokyo Electric Power Co
CRISE NUCLEAR Trabalhador de Fukushima aponta para a rachadura no reator 2, causada pelo terremoto em 11 de março, e por onde vaza líquido radioativo.
Logo após detectado o problema, funcionários da usina começaram a construir uma barreira com concreto para tentar conter a água que escorria. A Agência de Segurança Nuclear do Japão não descarta a possibilidade de existirem outros vazamentos de líquido contaminado ao mar, e solicitou à Tepco novos testes nas águas litorâneas para avaliar a presença de materiais radioativos.

Fontes da própria Tepco informaram que o nível de radioatividade alcançou mais de 1 mil milisievert por hora no local. A 40 quilômetros de Fukushima, o Ministério de Ciência japonês diz ter detectado o dobro do nível normal de Iodo-131, embora o próprio governo tenha afirmado que isso ainda não é alarmante, uma vez que esse iodo irá se diluir no mar.

Ao mesmo tempo que tentam conter o escorrimento de água radioativa, os operários de Fukushima se esforçam para conseguir drenar a água que se encontra nos reatores 1, 2 e 3 e evitar novos vazamentos. Para isso, a Tepco precisa encontrar um reservatório que armazene todo o líquido. Uma das opções cogitadas é utilizar uma ilha artificial flutuante que conseguiria abrigar 10 mil das cerca de 13 mil toneladas de água contaminada da usina.

Embora todo esse trabalho de controle do escapamento de materiais perigosos e a radioatividade complique ainda mais a situação dos operários, também houve progressos nas últimas horas. A Tepco conseguiu instalar um sistema provisório de bombeamento de água marítima nos quatro reatores para tentar resfriá-los. Ele ainda não foi iniciado por causa dos altos níveis de radiação, mas já representa uma esperança na contenção da
crise nuclear que se estende desde o último dia 11 de março.

Centenas de funcionários da Tepco, bombeiros e militares participam dos trabalhos para controlar a usina. Alguns deles receberam neste sábado a visita do primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, que viajou até uma base situada a cerca de 20 quilômetros da usina nuclear. Em declarações divulgada pela agência de notícias japonesa Kyodo, o premiê encorajou os funcionários a lutarem contra o perigo em Fukushima, "com a convicção de que esta batalha não pode ser perdida

sábado, 26 de março de 2011

Entenda como a geração de energia elétrica afeta o meio ambiente Cada tecnologia tem um impacto diferente sobre a naturezaLucas Frasão, Mário Barra e Tadeu Meniconi .





Entre 20h30 e 21h30 deste sábado, será realizada a Hora do Planeta. Por 60 minutos, milhares de pessoas devem apagar as luzes, num evento promovido pela organização ambientalista WWF. A ideia do ato simbólico é demonstrar a preocupação com o aquecimento global.
A geração de energia elétrica sempre provoca algum efeito na natureza, mas cada processo tem suas particularidades. O G1 procurou especialistas para explicar quais as vantagens e desvantagens dos principais tipos de usinas disponíveis, levando em conta não só a questão ambiental, mas também os custos e a viabilidade de cada técnica.


Tipo de usinaVantagensDesvantagens
Hidroelétrica

Ícone hidroelétrica (Foto: Arte/G1)
- Emissão de gases causadores do efeito estufa muito baixa

- Baixo custo
- Impacto social e ambiental do represamento do rio
- Dependência (limitada) das condições climáticas
Termoelétrica a carvão

Ícone carvão (Foto: Arte/G1)
- Baixo custo de construção e combustível

- Alta produtividade

- Independência das condições climáticas
- Emissão de gases de efeito estufa muito alta (é a que mais emite)
- Poluição local do ar com elementos que causam chuva ácida e afetam a respiração
Termoelétrica a gás natural

Ícone gás natural (Foto: Arte/G1)
- Baixo custo de construção
- Independência das condições climáticas
- Baixa poluição local (comparada à termoelétrica a carvão)
- Emissão de gases de efeito estufa alta (menor que a do carvão, porém significativa)
- Custo de combustível muito oscilante (atrelado ao petróleo)
Termoelétrica a biomassa

Ícone biomassa (Foto: Arte/G1)
- Baixo custo de construção e combustível
- Emissão de gases de efeito estufa praticamente se anula (o ciclo do carbono fica perto de ser fechado)
- Independência das condições climáticas
- Disputa do espaço do solo com a produção de alimentos
- Caso haja desmatamentos para o cultivo, cria um novo problema ambiental
Nuclear

Ícone nuclear (Foto: Arte/G1)
- Emissão de gases de efeito estufa praticamente inexistente
- Alta produtividade
- Independência das condições climáticas
- Alto custo (exige investimentos em segurança)
- Produção de rejeitos radioativos
- Risco de acidentes (a probabilidade é baixa, mas os efeitos são gravíssimos)
Eólica

Ícone eólica (Foto: Arte/G1)
- Emissão de gases de efeito estufa praticamente inexistente
- Impacto ambiental mínimo
- Baixa produtividade
- Dependência das condições climáticas
- Poluição visual
Fotovoltaica

Ícone fotovoltaica (Foto: Arte/G1)
- Baixo impacto ambiental
- Alto custo
- Baixa produtividade
Hidroelétrica
Mais de 80% da energia gerada no
Brasil vem de usinas hidroelétricas. Essa energia é gerada pela correnteza dos rios, que faz girar turbinas instaladas em quedas d’água. De modo geral, a tecnologia é considerada limpa, uma vez que praticamente não emite gases de efeito estufa, que fortalecem o aquecimento global.
O grande problema ambiental – e também social – causado pelas hidroelétricas é a necessidade de represar os rios. Vastas regiões são alagadas, o que provoca não só a retirada das populações humanas do local, como alterações no ecossistema.
Por conta disso, projetos de usinas para o Norte do Brasil – como a polêmica obra de Belo Monte – preveem reservatórios menores. Contudo, isso torna a geração mais dependente do volume de água e, portanto, exige que haja outras fontes de energia para garantir o abastecimento constante.

Usina hidroelétrica de Itaipu, na fronteira entre Brasil e Paraguai (Foto: AP)Usina hidroelétrica de Itaipu, na fronteira entre Brasil e Paraguai (Foto: AP)
Eólica
A grande dependência do clima também é um problema das usinas eólicas – nas quais o vento move hélices que acionam turbinas. Esta alternativa não pode ser usada sozinha, é preciso que haja um sistema para complementá-la, mas faz sucesso por ser ecologicamente correta. “É energia de mais baixa emissão de gás de efeito estufa”, afirma Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de Clima e Energia da organização ambientalista Greenpeace.

Uma alternativa é fazer com que eólicas e hidroelétricas se completem. “No Nordeste, os ventos sopram mais forte justamente na época mais seca”, exemplifica Mauricio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia.
Esse é o tipo de usina que mais cresce no mundo. “É a bola da vez mesmo”, diz Roberto Schaeffer, professor de planejamento energético da pós-graduação em engenharia da UFRJ. Por isso mesmo, o custo vem caindo.
Contudo, não é muito potente, e é preciso instalar várias usinas lado a lado para se obter bons resultados. Na Europa, já há comunidades que reclamam da poluição visual, que prejudica o turismo, relatam Schaeffer e Tolmasquim.

Parque eólico de Osório (Foto: Bernardo Fiusa/Divulgação)Parque eólico de Osório, no Rio Grande do Sul (Foto: Bernardo Fiusa/Divulgação)
Termoelétrica
As usinas termoelétricas são o tipo mais comum do mundo. Nela, é queimado um combustível – carvão e gás natural são os mais usados – para ferver água. O vapor gira uma turbina e assim gera energia. “São imprescindíveis”, acredita José Manuel Diaz Francisco, coordenador de comunicação e segurança da Eletronuclear, subsidiária da Eletrobrás. “São usinas mais baratas, com tecnologia consolidada e possuem a vantagem de garantir um suprimento de energia que não depende das condições”, completa.

O processo de queima da água, no entanto, traz um efeito indesejado. “Tem os piores impactos ambientais em termos de emissão de gases de efeito estufa e poluição do ar”, afirma Baitelo, do Greenpeace.


Tem os piores impactos ambientais em termos de emissão de gases de efeito estufa e poluição do ar"

Ricardo Baitelo, do Greenpeace
As termoelétricas a carvão respondem por mais de 40% da produção mundial de energia; as movidas a gás ocupam o segundo lugar na lista, com cerca de 21%. Entre os dois, o carvão é mais barato, porém polui mais. Além de emitir mais gás carbônico – responsável pelo aquecimento global –, causa poluição local, emitindo substâncias como enxofre e óxido nitroso, que afetam a respiração. Hoje em dia, há filtros capazes de reduzir esses efeitos, mas eles encarecem a construção das usinas.
No Brasil, uma alternativa mais ecológica é o uso da biomassa. Quando se usa material orgânico – o mais comum no país é o bagaço da cana –, a combustão não emite gases de efeito estufa. Isso acontece porque o gás carbônico liberado é utilizado pelas plantas na fotossíntese, fechando o ciclo do carbono. Os custos são semelhantes aos das termoelétricas a carvão.
Para Roberto Schaeffer, da UFRJ, “é melhor até que a hidrelétrica do ponto de vista ambiental”. Já Ricardo Baitelo não se entusiasma. “Do ar diretamente relacionado a queimadas, afeta bastante populações próximas a canaviais e aumenta incidência de doenças respiratórias”, indica o especialista do Greenpeace.

Usina nuclear na França (Foto: François Mori/AP)Usina nuclear na França (Foto: François Mori/AP)
Nuclear
O termo mais correto para denominar uma usina nuclear é “termonuclear”. Seu funcionamento é idêntico ao das demais usinas termoelétricas, a diferença está no combustível. A fissão nuclear do urânio – ou do plutônio – gera o calor e produz, por outro lado, material radioativo que tem de ser monitorado por milhares de anos, o que é apontado como o principal problema por todos os especialistas ouvidos.

“Acredito que seja o pior tipo de energia. Por mais que setor nuclear diga que todo empreendimento energético está vinculado a acidentes, a diferença é a perversidade do acidente nuclear. A radiação se estoca no organismo e pode ser transmitida por gerações”, reclama Baitelo, do Greenpeace.
Embora acidentes sejam raros, o risco não pode ser considerado pequeno. “Risco é a probabilidade de ocorrer um acidente multiplicada pela magnitude do dano. A probabilidade de acidente é baixíssima, mas os efeitos são muito graves”, explica Schaeffer, da UFRJ. “É como ter medo de andar de avião: há menos acidentes que carro, mas, quando há, são mais graves”, completa.
Apesar do risco de acidentes, a energia nuclear é benéfica ao meio ambiente em um aspecto. “O combustível em um reator nuclear não é queimado, portanto não há emissão de gases poluentes”, destaca José Manuel Diaz Francisco, da Eletronuclear.


É uma beleza, mas é caríssimo"

Roberto Schaeffer, professor de planejamento energético da UFRJ, sobre os painéis fotovoltaicos
Fotovoltaica
Os painéis fotovoltaicos são feitos de materiais semicondutores à base de silício. Quando recebem radiação solar, liberam elétrons e geram energia.

“É uma beleza, mas é caríssimo”, resume Schaeffer, da UFRJ. Para ele, o uso só se justifica em situações pontuais, em locais de acesso muito difícil. Caso contrário, só é viável se houver subsídios. Baitelo, do Greenpeace, diz que faltam tais incentivos no país. “É a mais cara no Brasil porque não temos legislação”, reclama.
Tolmasquim, da EPE, aponta também que a capacidade de geração de cada painel é muito pequena, de forma que uma usina teria de ocupar uma área muito maior que uma termoelétrica para produzir a mesma energia.
Para José Manuel Diaz Francisco, o investimento vale a pena. “É uma tecnologia que precisa ser incorporada ao cotidiano de prédios e residências para atender a demandas pequenas. Não nos podemos deixar de integrar este tipo de tecnologia, pois é necessário diversificar a matriz energética”, argumenta.

sexta-feira, 25 de março de 2011

3º CONGRESSO BRASILEIRO DE TÚNEIS E ESTRUTURAS SUBTERRÂNEAS

3º CONGRESSO BRASILEIRO DE TÚNEIS E ESTRUTURAS SUBTERRÂNEAS
SEMINÁRIO INTERNACIONAL “SOUTH AMERICAN TUNNELLING – SAT 2012”

São Paulo – SP, 20 a 22 de março de 2012


MENSAGEM DA COMISSÃO ORGANIZADORA

O Brasil vive hoje uma de suas fases mais promissoras, com os olhos de todo o mundo voltado para o potencial crescimento de nossa economia e com a realização de grandes eventos internacionais como a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016. Ao mesmo tempo, o país se depara com a necessidade de investimentos maciços em infraestrutura, seja para garantir o crescimento de nossa economia, seja para aumentar o grau de desenvolvimento social da população, cada vez mais urbana.

Nesse cenário surge a implantação de grandes empreendimentos como a usina de Belo Monte, o trem de alta velocidade Rio de Janeiro-São Paulo-Campinas (TAV), a transposição do rio São Francisco, os investimentos no Pré-Sal e as obras de mobilidade urbana, principalmente nas grandes metrópoles. O momento é, portanto, muito propício para a engenharia de túneis, que será protagonista essencial para o desenvolvimento do país.

É nesse momento que o Comitê Brasileiro de Túneis – CBT da ABMS – Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica tem o prazer de convidá-lo para o 3° CONGRESSO BRASILEIRO DE TÚNEIS E ESTRUTURAS SUBTERRÂNEAS – CBT 2012 e para o SEMINÁRIO INTERNACIONAL “SOUTH AMERICAN TUNNELLING – SAT'2012”, a serem realizados em São Paulo, de 20 a 22 de março de 2012.

Serão abordados 11 temas considerados fundamentais para os profissionais que atuam na área de estruturas subterrâneas, promovendo o debate, intercâmbio de experiências e atualização técnica, além da apresentação de novas tecnologias e tendências na área de projetos e construções.

Além dos trabalhos técnicos do Brasil e da América do Sul, repetindo o sucesso do 2º Congresso, ocorrido em 2008, serão proferidas conferências de especialistas consagrados nacionais e internacionais, realizados debates de temas atuais, exposição de produtos, serviços e equipamentos, além de visitas técnicas.

Serão reservados dois dias para a realização de um curso de atualização e aperfeiçoamento na área de túneis, a ser ministrado por profissionais brasileiros e internacionais renomados na engenharia de túneis.

 DATA E LOCAL

 O 3º Congresso Brasileiro de Túneis e Estruturas Subterrâneas e o Seminário Internacional “South American Tunnelling – SAT 2012” serão realizados entre os dias 20 e 22 de março de 2012 no Centro Fecomercio de Eventos, situado na Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – 1º andar na cidade de São Paulo – SP.


TEMAS


 Planejamento Urbano e Uso do Espaço Subterrâneo
  1. Investigações Geológicas, Dados Básicos, Aspectos Hidrogeológicos e Geotécnicos.
  2. Projetos e Retroanálises.
  3. Suporte, Revestimentos e Materiais.
  4. Escavações Subterrâneas em Mineração, Óleo e Gás.
  5. Casos Históricos e suas Lições
  6. Meio Ambiente e Obras Subterrâneas
  7. Operação, Manutenção e Recuperação
  8. Contratos, Seguros e Gestão de Riscos
  9. Novas Tecnologias
  10. Estocagem Subterrânea

CHAMADA DE TRABALHOS

Os trabalhos completos deverão ser enviados eletronicamente, seguindo as regras de envio e normas de editoração disponíveis no site do evento: www.tuneis.com.br/3cbt, até o dia 15 de setembro de 2011.

Durante o preenchimento do formulário, os autores devem indicar o formato preferido para apresentação, oral ou painel, porém, é de responsabilidade do Comitê Científico a decisão final.

Os autores serão informados quanto ao aceite / recusa até o dia 30 de outubro de 2011.

Ao menos um dos autores deverá estar inscrito ate o dia 15 de dezembro de 2011 para que o trabalho seja validado para apresentação e publicação nos anais do evento.

Os trabalhos aceitos serão publicados na integra nos anais, independente de sua forma de apresentação.

Cada inscrição valida a publicação e apresentação de até 3 trabalhos técnicos.

INSCRIÇÕES

As inscrições deverão ser efetuadas através do site: www.tuneis.com.br/3cbt

O pagamento poderá ser efetuado por meio de boleto bancário que será gerado durante o processo da inscrição.
 
Categorias
Até 31/12/2011
Após 01/01/2012
ESTUDANTES DE GRADUAÇÃO
R$ 250,00
R$ 350,00
SÓCIOS
R$ 650,00
R$ 750,00
NÃO SÓCIOS
R$ 800,00
R$ 900,00


- Associados quites com suas anuidades do CBT, ABMS e ABGE gozam de valores diferenciados e pagam o valor mencionado na categoria de SÓCIOS;

- Somente poderão se inscrever na categoria ESTUDANTES os matriculados em cursos de graduação. Para validar, deve ser enviado um documento comprobatório deste status através do e-mail: 3cbt@acquacon.com.br

- Após o dia 13 de março as inscrições poderão ser feitas somente no local durante o evento.

Notas de Empenho

As Notas de Empenho devem ser emitidas para a Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica, CNPJ: 58.402.579/0001-07.

IMPORTANTE -- Se a Nota de Empenho não tiver sido quitada, efetivamente paga com envio de comprovante via e-mail: 3cbt@acquacon.com.br, o inscrito deverá efetuar o pagamento da taxa de inscrição e só será reembolsado quando a instituição comprovar que realizou o pagamento.

Cancelamentos

Cancelamentos de inscrição serão aceitos com antecedência de até 30 dias mediante retenção de 30% sobre o total a pagar.

EXPOSIÇÃO TÉCNICA PARALELA

Diante do comprovado aquecimento do mercado no setor de túneis e estruturas subterrâneas, e mantendo sua tradição, o CBT / ABMS disponibilizará estandes destinados às empresas, instituições de pesquisa, órgãos de Governo e aos demais interessados em expor seus produtos e serviços.

Os estandes de 9 metros quadrados, com montagem básica incluída, estão sendo comercializados por R$ 7.500,00 para empresas associadas a ABMS e ao CBT e a R$ 8.500,00 para não associadas.

Consulte a planta da Exposição no site do evento e escolha já o seu estande. Recomendamos que considere a possibilidade de adquirir uma Cota de Patrocínio em vez de locar apenas a área, já que as contrapartidas ofertadas justificam o investimento pouco maior.

Entre em contato e conheça as oportunidades:

Acqua Consultoria

Fone: (11) 3868-0726


PATROCÍNIOS

Tendo como público alvo os principais tomadores de decisões do País, o 3º Congresso Brasileiro de Túneis e Estruturas Subterrâneas e o SAT’2012 são excelentes oportunidades para que sua instituição seja sempre lembrada por este seleto grupo, sendo assim, recomendamos que avalie sua participação enquanto patrocinador do evento.

Há duas formas de participação, adquirindo cotas de patrocínios, com contrapartidas maiores de acordo com o investimento, ou através da aquisição de cotas de produtos/serviços, que serão entregues (ou prestados) aos participantes, conforme disponível no item Patrocínios do site.  

AGÊNCIA OFICIAL DE VIAGENS

Credenciou-se a R3 Viagens, Incentivo e Eventos como agência oficial de viagens do 3º CBT / SAT’2012, com condições de atender tanto na parte terrestre, reservando hotéis na região e ofertando transporte quanto na parte aérea, com excelentes condições.

No site oficial do evento, poderão encontrar mais informações.

É mais seguro, ágil e confortável adquirir o seu pacote junto à agência oficial de viagens.

R3 Viagens, Incentivo e Eventos

Fone: (11) 3871-1959



COMITÊ ORGANIZADOR

Presidente:

Akira Koshima

Membros:

Alessandra Lionço

André Pacheco de Assis

Antonio Domingues de Figueiredo

Edson Peev

Fernando Leyser Gonçalves

Flavio Henrique Cunha Lobato

Flávio Massayuki Kuwajima

Francisco Ribeiro Neto

Hugo Cássio Rocha

João Carlos B. Jorge da Silva

José Luiz D. Penido

Marco Aurélio Abreu Peixoto da Silva

Paula Maia Ribeiro Avesani

Pedro Teodoro França

Sergio A.B. Fontoura

Tarcisio Barreto Celestino

ORGANIZAÇÃO
Acqua Consultoria

Fone: (11) 3868-0726