domingo, 4 de setembro de 2011

Bebê com doença rara arruma doador da Alemanha


Bebê com doença rara arruma doador da Alemanha

Doença faz com que criança não tenha imunidade a bactérias e fungos

25/08/2011 - 08:56
Globo.com/G1
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“Tiraram 500 quilos das nossas costas”, desabafou Luiz Cláudio Anísio, pai do menino Guilherme Mezabara Anísio, de onze meses, após saber que uma medula óssea compatível com o filho foi encontrada no banco internacional de doadores. Guilherme tem uma doença congênita rara chamada Granulomatosa Crônica, que faz com que a criança não tenha nenhuma imunidade a bactérias e fungos. Isso significa que ele não pode ficar exposto a bactérias, porque não tem defesas contra elas.
Guilherme tem 11 meses, prestes a completar o primeiro ano de vida (Foto: Arquivo Pessoal/Luiz Cláudio Anísio)
Operação será feita em meados de outubro, em São Paulo. “Temos muito pouca informação sobre o doador, mas sabemos que ele é da Alemanha, jovem e está disposto a doar, tanto que ele compareceu para fazer a confirmação da compatibilidade”, disse. Guilherme completa um ano no dia 29 de agosto. “Melhor presente impossível”.
O menino já foi três vezes internado no hospital, duas com pneumonia, e uma com ostiomelite, uma inflamação óssea, que no caso de Guilherme atingiu a parte frontal do crânio. Por causa das doenças, um imunologista foi consultado, e, depois de diversos testes, descobriu-se o que estava deixando o bebê doente constantemente. Os pais descobriram a doença quando Guilherme tinha 7 meses de idade.
Guilherme durante uma das internações, aos sete meses (Foto: Arquivo Pessoal/Luiz Cláudio Anísio)Para a cura definitiva da doença, o pequeno Guilherme precisa do transplante de medula óssea. O menino foi cadastrado no banco de receptores brasileiro e internacional. “O banco tem 16 milhões de doadores. Desses, a gente achou um compatível. Quando fizeram a busca, a princípio, eram três opções, mas elas não se confirmaram. E essa outra levou muito tempo para se confirmar, teve algum problema na amostra. Estamos esperando há meses por essa notícia, que só se confirmou agora”, disse o geólogo.
O pai relatou também como será o processo de transplante em outubro. Segundo ele, Guilherme fará uma quimioterapia em São Paulo antes do transplante, para o que ele chamou de “matar a medula” do filho. Dois dias antes da operação, a coleta será feita na Alemanha e o material chega em até 48 horas para o procedimento. Guilherme ficará depois em uma ala especial para pacientes transplantados, por cerca de 40 dias, em isolamento total, e monitoramento, até que a nova medula volte a funcionar. “Depois de quatro meses voltamos para o Rio, e ainda precisaremos fazer um monitoramento mais ou menos por 8 meses. Ainda tem muita estrada pela frente, mas esta foi uma etapa muito importante, que foi achar um doador”, comemorou.
"O Guilherme está ligado na tomada a 220 volts. Ele está ótimo, super bem clinicamente, mas temos que fazer alguns exames para comprovar que ele está 100% mesmo. Estamos agora com essa ansiedade para resolver mais uma etapa. Estamos muito felizes", concluiu Luiz Cláudio.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Supernova produz poeira suficiente para formar 200.000 terras

Espaço
Supernova produz poeira suficiente para formar 200.000 terras
Com informações da ESA - 12/07/2011. No Universo primitivo havia uma grande quantidade de supernovas, pelo que esta teoria poderia ajudar a compreender as primeiras etapas da evolução do Universo. [Imagem: ESA]
Pó para 200.000 terras

O telescópio espacial Herschel, da ESA, descobriu que grandes explosões estelares podem dar origem a uma quantidade de pó interestelar muito maior do que se imaginava.
Juntamente com as nuvens de gás, este pó forma a matéria-prima com que se formarão novas estrelas, planetas e, em última análise, a vida.
Esta descoberta pode ajudar a resolver um dos principais enigmas da formação do Universo.
Os astrônomos conseguiram estimar a quantidade de pó a partir do brilho dos restos de uma supernova. Surpreendentemente, verificou-se que havia mil vezes mais poeira do que se pensava que podia resultar de uma explosão com estas características - o suficiente para dar origem a cerca de 200.000 planetas do tamanho da Terra.
Origem do pó interestelar
Compreender a origem do pó interestelar é uma questão chave no estudo do Universo. Os átomos mais pesados, tais como o carbono, o silício, o oxigênio ou o ferro, não foram produzidos durante o Big Bang, pelo que a sua origem deve estar relacionada com algum fenômeno posterior.
Apesar de estes átomos constituírem apenas uma pequena fração da massa do Universo e do nosso Sistema Solar, eles são os principais componentes dos planetas rochosos como a Terra e da vida em si: grande parte dos átomos do nosso corpo fez parte, em algum momento, do pó interestelar.
No entanto, ainda não se compreende bem como é que se gera este pó, principalmente no Universo primitivo.

Esta descoberta foi feita enquanto o Herschel estudava a radiação da poeira fria na Grande Nuvem de Magalhães, uma pequena galáxia próxima da Via Láctea. [Imagem: ESA - C. Carreau]Resto de supernovas
Mas agora há uma pista. As teorias atuais sugerem que grande parte do pó interestelar é gerado através da condensação dos gases quentes expelidos pelas gigantes vermelhas que podemos observar no Universo atual, de forma semelhante à formação da fuligem numa chaminé.
No entanto, este tipo de estrela não existia no Universo primitivo, apesar de haver grandes quantidades de pó.
Com o Herschel ficou demonstrado que as supernovas também podem ser uma ótima fonte de pó interestelar. Os grãos de pó poderiam ser o resultado da condensação dos resíduos gasosos da explosão, durante o arrefecimento provocado pela expansão.
No Universo primitivo havia uma grande quantidade de supernovas, pelo que esta teoria poderia ajudar a compreender as primeiras etapas da evolução do Universo.
"Estas observações são a primeira prova direta de que as supernovas podem gerar o pó interestelar que detectamos nas galáxias mais jovens", explica Göran Pilbratt, cientista do Projeto Herschel, da ESA. "É um resultado muito importante, que demonstra uma vez mais as vantagens de contar com uma janela aberta para o Universo."

  Esta descoberta foi feita enquanto o Herschel estudava a radiação da poeira fria na Grande Nuvem de Magalhães, uma pequena galáxia próxima da Via Láctea. [Imagem: ESA - C. Carreau]
                                                    
 Supernova 1987A
Esta descoberta foi feita enquanto o Herschel estudava a radiação da poeira fria na Grande Nuvem de Magalhães, uma pequena galáxia próxima da Via Láctea. A poeira fria emite radiação na banda do infravermelho distante, o que torna o Herschel, concebido para estudar esta banda de frequências, o telescópio perfeito para detectar a sua presença.
O Herschel observou uma fonte de radiação infravermelha na supernova 1987A, uma explosão estelar detectada na Terra pela primeira vez em Fevereiro de 1987, e a mais próxima do nosso planeta nos últimos 400 anos.
Desde então, os astrônomos têm estudado os resquícios da explosão, à medida que a onda da supernova atravessa a galáxia. As imagens obtidas pelo Herschel são as primeiras observações claras da SN1987A em infravermelho distante. Aí pode detectar-se a presença de grãos de pó a cerca de -250°C, emitindo 200 vezes mais energia que o nosso Sol.
"Os restos da supernova são muito mais brilhantes no infravermelho do que esperávamos", nota Mikako Matsuura, da Universidade College London, autor principal do artigo que apresenta esta descoberta.

Bibliografia:
Herschel Detects a Massive Dust Reservoir in Supernova 1987A
M. Matsuura, E. Dwek, M. Meixner, M. Otsuka, B. Babler, M. J. Barlow, J. Roman-Duval, C. Engelbracht, K. Sandstrom, M. Lakicevic, J. Th. van Loon, G. Sonneborn, G. C. Clayton, K. S. Long, P. Lundqvist, T. Nozawa, K. D. Gordon, S. Hony, K. Okumura, K. A. Misselt, E. Montiel, M. Sauvage
Science
7 July 2011
Vol.: Published Online
DOI: 10.1126/science.1205983

segunda-feira, 20 de junho de 2011

LINKS - SOCIEDADE BRASILEIRA DE GEOLOGIA

  • CPRM - Serviço Geológico do Brasil - vinculado ao Ministério de Minas e Energia, com a missão estratégica de organizar e sistematizar o conhecimento geológico do território brasileiro.
  • DNPM - Departamento Nacional da Produção Mineral 
  • ABAS - Associação Brasileira de Águas Subterrâneas 
  • ABEQUA - Associação Brasileira de Estudos do Quaternário 
  • ABGE - Associação Brasileira de Geologia de Engenharia 
  • SBP - Sociedade Brasileira de Paleontologia 
  • SBGf - Sociedade Brasileira de Geofísica 
  • SBGq - Sociedade Brasileira de Geoquímica 
  • UGB - União da Geomorfologia Brasileira 
  • SUG - Sociedade Uruguaya de Geología 
  • SIGEP - Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos
  • AGEN - Associação dos Geólogos e Engenheiroos da CPRM. Entidade que representa técnicos de nível superior da Companhia de Pesquisa de Recursos Mineirais - Serviço Geológico Do Brasil.
  • AGERN - Associação Profissional de Geólogos do Rio Grande do Norte. História, jornal, estatuto, associados e temas geológicos.
  • AGP -  Associação Profissional dos Geólogos de Pernambuco - Geologia, geólogos de Pernambuco, curso, geolinks, informativo, eventos, acêrvo técnico, consultores, glossário geológico, honorários, e-mail gratuito e mais. Recife, PE.
  • SIGESP - Sindicato dos Geólogos no Estado de São Paulo - é uma entidade sem fins lucrativos, com sede e foro em São Paulo, Estado de São Paulo, constituída para fins de estudo, coordenação, proteção e representação legal do profissional geólogo, na base territorial do Estado de São Paulo.
  • USGS - Serviço Geológico Americano (United States Geological Survey)
  • IUGS - União Internacional das Ciências Geológicas 

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Mergulhador fotografa divisão entre placas tectônicas na Islândia...Hum ....sei............. não.

ref>: GLOBO CIÊNCIA
Mergulhador fotografa divisão entre placas tectônicas na Islândia

O britânico Alexander Mustard documentou um mergulho entre as placas tectônicas da América do Norte e da Eurásia, que se afastam a cada ano.


Da BBC
O fotógrafo britânico Alexander Mustard registrou o mergulho que ele e outros colegas fizeram na fenda entre as placas tectônicas da América do Norte e da Eurásia.
A aventura para conhecer a "fronteira" entre as duas placas ocorreu no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia. A paisagem submersa do parque é cheia de vales, falhas e fontes de lava, formados pelo afastamento gradual entre as duas placas, que se distanciam cerca de 2,5 centímetros uma da outra a cada ano.
Foto tectônica 2 (Foto: Alexander Mustard / Solent )Fotos foram tiradas nas imediações do Parque Nacional Thingvellir. (Foto: Alexander Mustard / Solent )
Os mergulhadores que participaram da expedição desceram cerca de 24 metros na fenda entre as placas, mas chegaram a até 60 metros de profundidade em cânions como o Silfra e o Nikulasargia.
Mustard, de 36 anos, diz que as imagens mostram 'o mundo submarino único da Islândia, que, assim como a ilha, é formado por paisagens vulcânicas'.
A lava e o vapor quente na interseção entre as placas criou também a chaminé hidrotermal Arnarnes Strytur, visitada pelos mergulhadores. A água é expulsa da chaminé 80°C e forma uma coluna turva ao entrar em contato com a água do mar, que está a 4°C.
Alexander Mustard é especializado em imagens submarinas. Um de seus trabalhos mais conhecidos é o registro fotográfico de destroços de navio no fundo do mar ao redor do mundo.
Foto tectônica 1 (Foto: Alexander Mustard / Solent)Mergulhadores chegaram a atingir até 60 metros de profundidade. (Foto: Alexander Mustard / Solent)
Placas tectônicas
A noção de placas tectônicas foi desenvolvida nos anos 1960 para explicar as localizações dos vulcões e outros eventos geológicos de grande escala.
De acordo com a teoria, a superfície da Terra é feita de uma "colcha de retalhos" de enormes placas rígidas, com espessura de 80 km, que flutuam devagar por cima do manto, uma região com magma nas profundezas da terra.
Foto tectônica 3 (Foto: Alexander Mustard / Solent)Fenda entre duas placas tectônicas foi estudada. (Foto: Alexander Mustard / Solent)
As placas mudam de tamanho e posição ao longo do tempo, movendo entre um e dez centímetros por ano - velocidade equivalente ao crescimento das unhas humanas.
O fundo do oceano está sendo constantemente modificado, com a criação de novas crostas feitas da lava expelida das profundezas da Terra e que se solidifica no contato com a água fria. Assim, as placas tectônicas se movem, gerando intensa atividade geológica em suas extremidades.
As atividades nestas zonas de divisa entre placas tectônicas são as mesmas que dão origem aos terremotos de grande magnitude.
Foto tectônica 4 (Foto: Alexander Mustard / Solent)Alexander Mustard é especializado em fotografia no fundo do mar. (Foto: Alexander Mustard / Solent)

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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Bebê de 8 meses com doença rara aguarda transplante de medula óssea


28/05/2011 11h18 - Atualizado em 28/05/2011 14h29

Bebê de 8 meses com doença rara aguarda transplante de medula óssea

'Nossa vida mudou completamente', disse o pai do menino após diagnóstico.
Granulomatosa Crônica deixa a criança sem imunidade contra bactérias.

Patrícia Kappen Do G1 RJ
Os pais do menino Guilherme Mezabarba Anísio, de apenas 8 meses, aguardam ansiosamente uma resposta positiva do banco de dados de medula óssea. Guilherme tem uma doença congênita rara chamada Granulomatosa Crônica, que faz com que a criança não tenha nenhuma imunidade a bactérias e fungos. Isso significa que ele não pode ficar exposto a bactérias, porque não tem defesas contra elas. O bebê acabou de sair da Unidade de Tratamento Intensivo do hospital, e ainda se recupera de sua segunda pneumonia.
Guilherme está internado em hospital na Zona Sul do Rio com pneumonia (Foto: Arquivo Pessoal?Luiz Cláudio Anísio)Guilherme está internado em hospital na Zona Sul do Rio com pneumonia (Foto: Arquivo Pessoal/Luiz Cláudio Anísio)
Com pouca idade, o menino já foi três vezes internado no hospital, duas com pneumonia, uma delas com 40 dias de internação, e uma com ostiomelite, uma inflamação óssea, que no caso de Guilherme atingiu a parte frontal do crânio. Por causa das doenças, um imunologista foi chamado, e, depois de diversos testes, soube o que estava deixando o bebê doente constantemente. “Descobrimos a doença há um mês. Nossa vida mudou completamente”, disse o pai, o geólogo Luis Cláudio Anísio, afirmando que o diagnóstico da doença é muito difícil, mas que no caso do filho, foi conseguido cedo, se comparado a outros casos.
Transplante de medula ósseaGuilherme é o primeiro filho de Luis Cláudio geólogo com a economista Adriana Mezabara. Agora os dois terão que mudar hábitos com o filho. “Ele não pode estar exposto em aglomerações, não pode ter contato com terra, com o mar, ambientes externos, qualquer lugar que tenha possível foco de bactérias. Teremos uma vida muito mais regrada.”
Nossa vida mudou completamente"
 
Luiz Cláudio, pai de Guilherme, após o diagnóstico do filho
Para a cura definitiva da doença, o pequeno Guilherme precisa de um transplante de medula óssea. O menino já está cadastrado no banco de receptores do Rio. Agora, falta achar um doador compatível. “O banco de doadores é atualizado constantemente. Por isso é importante que as pessoas se cadastrem no banco, porque quanto maior o número de pessoas registradas através de uma amostra de sangue, mais chances temos de achar alguém compatível”, disse Luis Cláudio.

A doação de medula óssea é um procedimento simples. De acordo com o Hemo-Rio, o doador primeiramente se cadastra no Redome - Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea - com uma amostra de sangue, de onde serão feitos alguns testes. Comprovando a compatibilidade com algum receptor, este doador é chamado novamente para a realização de testes mais específicos que comprovarão a compatibilidade da medula.
Guilherme e os pais, Luiz Cláudio e Adriana, na primeira internação do bebê (Foto: Arquivo Pessoal/Luiz Cláudio Anísio)Guilherme e os pais, Luiz Cláudio e Adriana, na
primeira internação do bebê
(Foto: Arquivo Pessoal/Luiz Cláudio Anísio)
Procura por doadoresCaso seja positiva, todo o processo é muito seguro. O doador recebe anestesia geral para a retirada das células da medula e passa somente um dia no hospital, por precauções médicas. No dia seguinte já possível retornar à rotina normalmente.
Os pais de Guilherme ainda não encontraram doadores compatíveis no Redome. A esperança é que campanhas de doação consigam mais doadores ou que seja encontrado um doador compatível em algum banco internacional. “Essa é a nova etapa, de buscas internacionais e de novos doadores”, afirmou Luis Cláudio.

Guilherme só poderá ser liberado do hospital onde está, na Zona Sul do Rio, quando estiver totalmente curado. “Se fosse uma criança normal, provavelmente teríamos alta e continuaríamos o tratamento com antibióticos em casa. Mas se ele sair agora, pode agravar a doença e ele ter que voltar para a UTI. As consequências seriam mais sérias”, lamentou. E para se proteger de doenças, mesmo após sair do hospital, enquanto não chega a doação compatível, Guilherme tomará uma grande quantidade de antibióticos e injeções diárias. “O que não impedirá que ele tenha novas infecções e corra risco de vida”.
Saiba onde doar no Rio:

Instituto Estadual de Hematologia Arthur de Siqueira Cavalcanti - HEMO-RIO
Seg a Sex de 8 às 12
Rua Frei Caneca, 8 – Centro – Rio de Janeiro
Telefone: (21) 2509-1290

Instituto Nacional de Câncer - INCA
Seg a Sex de 7h30 às 14h30, Sabados de 8 às 12
Praça da Cruz Vermelha, 23 – 2º andar – Centro – Rio de Janeiro
Telefone: (21) 2506-6580

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Dia do Geólogo - 30 de Maio - OLHE À SUA VOLTA, HÁ UM GEÓLOGO POR AÍ

Dia do Geólogo

Dia do Geólogo, 30 de Maio
OLHE À SUA VOLTA, HÁ UM GEÓLOGO POR AÍ

No dia 30 de maio comemora-se internacionalmente o Dia do Geólogo. Diferentemente de vários países do mundo, onde a atividade profissional do Geólogo é já entendida em sua enorme importância para o Homem, tem sido regra em nosso país que esse dia passe praticamente despercebido pela sociedade, reflexo do ainda o precário conhecimento que esta sociedade tem sobre a atividade de seus geólogos.
Dia do Geólogo
Diga-se a bem da verdade que esse relativo desconhecimento deve-se em boa parte aos próprios geólogos, em geral mais afeitos a seus círculos profissionais específicos e restritos e despreocupados em dialogar mais abertamente com a sociedade sobre as importantíssimas questões com as quais trabalha.
Simplificadamente, podemos dividir em três grandes planos a atividade profissional do Geólogo, todos eles, como se verá, com estreita relação com o cotidiano e com a qualidade da vida humana no planeta: Fenômenos Geológicos Naturais, no âmbito do qual o Geólogo investiga fenômenos associados à dinâmica geológica do planeta, como terremotos, maremotos, vulcanismos, variações térmicas planetárias e suas conseqüências, processos regionais de desertificação, escorregamentos e avalanches naturais em regiões serranas, etc., definindo cuidados e providências que devam ser tomados pelo Homem para evitar ou reduzir ao máximo os danos que esses fenômenos possam causar;
Exploração de Recursos Minerais, plano em que o Geólogo estuda a formação de jazidas minerais de interesse do Homem (ferro, manganês, cobre, carvão mineral, petróleo, água subterrânea, urânio, alumínio, areia e brita para construção, argila para cerâmica, etc., etc.), localiza-as na Natureza, avalia-as técnica e economicamente e planeja, juntamente com o Engenheiro de Minas, sua exploração e posterior recuperação ambiental da área afetada; Geologia de Engenharia, dentro do qual o Geólogo estuda as interferências do Homem sobre o meio físico geológico.
Dentro desse plano é importante entender que, para o atendimento de suas necessidades (energia, transporte, alimentação, moradia, segurança física, saúde, comunicação...), o Homem é inexoravelmente levado a ocupar e modificar espaços naturais das mais diversas formas (cidades, agricultura, indústria, usinas elétricas, estradas, portos, canais, extração de minérios, disposição de rejeitos ou resíduos industriais e urbanos...), o que já o transformou no mais poderoso agente geológico hoje atuante na superfície do planeta.
Pois bem, caso esses empreendimentos não levem em conta, desde seu projeto até sua implantação e operação, as características dos materiais e dos processos geológicos naturais com que vão interferir e interagir, é quase certo que a Natureza responda através de acidentes locais (o rompimento de uma barragem, o colapso de uma ponte, a ruptura de um talude, por exemplo), ou graves problemas regionais (o assoreamento de um rio, de um reservatório, de um porto, as enchentes e escorregamentos urbanos, a contaminação de solos e de águas superficiais e subterrâneas, por exemplo), conseqüências todas extremamente onerosas social e financeiramente, e muitas vezes trágicas no que diz respeito à perda de vidas humanas.
Enfim, mesmo com a abdicação do consumismo tresloucado e do crescimento populacional descontrolado, a epopéia civilizatória de chegarmos a uma sociedade onde todos os seres humanos tenham uma vida materialmente digna e espiritualmente plena, exigirá, sem dúvida, a multiplicação de empreendimentos humanos no planeta: exploração mineral, energia, transportes, indústrias, cidades, agricultura, disposição de resíduos...
A Geologia é uma das ciências sobre as quais recai a enorme responsabilidade de tornar essa maravilhosa utopia técnica e ambientalmente possível, sem que a própria possibilidade da vida humana no planeta seja comprometida.
Conclui-se, assim, que para se assegurar que a Humanidade tenha um futuro promissor e pleno de felicidade em seu planeta faz-se cada vez mais imprescindível conversar com a Terra. Para esse diálogo, os homens têm seu inspirado intérprete: o Geólogo.
De outra parte, a Geologia é uma geociência maravilhosa. E seu caráter maravilhoso liga-se à sua intrínseca relação com o movimento (Movimento = Tempo + Espaço). O sentido maior da Geologia é apreender o movimento, os processos que definiram, definem e definirão o Planeta e seus fenômenos. O fator Tempo pode ser também importante em outras profissões, mas na Geologia é a variável permanente e onipresente em todas suas equações.
Dentro desse espírito, é justo rendermos um tributo ao Geólogo escocês James Hutton, que ao final do séc. XVIII, pela primeira vez rompeu documentadamente e corajosamente com os estreitos tabus e dogmas religiosos da época, para os quais o mundo atual era exatamente aquele criado por Deus, cunhando (o Geólogo inglês Charles Lyell logo em seguida deu primorosa e enérgica seqüência à sua teoria) as bases da teoria do Uniformitarismo ("o Presente é a chave do Passado"), a qual, por sinal, Darwin, dando todos os créditos a Lyell e Hutton, aplicou ao mundo Biológico.
Dizia Hutton: "Desde o topo da montanha à praia do mar...tudo está em estado de mudança. Por meio da erosão a superfície da Terra deteriora-se localmente, mas por processos de formação das rochas ela se reconstrói em outra parte.
A Terra possui um estado de crescimento e aumento; ela tem um outro estado, que é o de diminuição e degeneração. Este mundo é, assim, destruído em uma parte, mas renovado em outra".
Ao Geólogo, portanto, com todo o merecimento, cabem as honras e homenagem por mais esse aniversário de sua tão bela profissão.
Fonte: ig.unb.br

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Livro traz a história e o estado da arte da Geologia do Brasil

Luiz SugimotoFotos: Antonio Scarpinetti
Os organizadores do livro: Andréa Bartorelli,
Celso Dal Ré Carneiro, Yociteru Hasui
e Fernando Flávio Marques de Almeida

[3/5/2011] Mais que um livro, Geologia do Brasil é um documento sobre o estado atual do conhecimento geológico do território nacional, organizado por Celso Dal Ré Carneiro, Fernando Flávio Marques de Almeida, Yociteru Hasui e Andréa Bartorelli, que resumem na introdução: “O livro é uma síntese de modelos e informações atualizadas da Geologia do Brasil, gerados por seus principais estudiosos, com exemplos brasileiros de uma série de conceitos de Geologia básica, organizados sob perspectiva temporal, que se estende desde os tempos primitivos, até o passado antigo e a conformação moderna da paisagem”.

Celso Dal Ré Carneiro é docente do Instituto de Geociências (IG) da Unicamp e conta um pouco da história da geologia no Brasil, que em sua opinião se desenvolve de modo oscilante. “Há épocas de grande investimento e outras em que ele reflui. Tivemos uma Comissão Nacional Geográfica e Geológica criada apenas na virada para o século 20 e que deu origem ao Serviço Geológico do Brasil. Já o serviço dos Estados Unidos existe desde 1839, fundado para acompanhar a expansão da massa de colonizadores para o oeste americano – o governo, necessitando atestar se havia recursos nas terras que distribuía, foi pressionado a investir na geologia”.

Carneiro afirma que os cursos de geologia também demoraram a surgir no país, o que ocorreu a partir da criação da Petrobras, com uma campanha visando à formação de geólogos para a busca de petróleo. “Monteiro Lobato descreveu fatos como a vinda de americanos para nos convencer de que o Brasil nunca encontraria petróleo e que não adiantava o investimento. Mas o governo persistiu e, em 1956/57, surgiram os seis primeiros cursos. Os anos 70 foram ricos, com grande avanço na área. Depois da década perdida de 80, por causa do retrocesso econômico, a geologia voltou a crescer por força das universidades, órgãos de pesquisa e empresas, e agora por força do pré-sal”.

Periodicamente, segundo o docente do IG, é produzida uma obra de referência procurando sintetizar o conhecimento geológico do nosso território, acompanhando a publicação da carta geológica do país. “A última carta foi produzida em 2000 pela CPRM [Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, que guarda as atribuições do Serviço Geológico do Brasil]. São 46 DVDs com todos os mapas do território, unidades que precisam ser descritas para mostrar algo como o estado da arte da geologia. Antes, foram publicados dois livros sobre Geologia do Brasil: o primeiro cobrindo o período Pré-Cambriano, que vai da origem da Terra até 542 milhões de anos atrás, e o outro sobre o período Fanerozóico, que é das bacias sedimentares. Ambos são de 1984 e estão esgotados – e ultrapassados”.

Segundo Celso Carneiro, a ideia de produzir um novo volume de Geologia do Brasil surgiu a partir de outro título que ajudou a organizar, Geologia do continente sul-americano – Evolução da obra de Fernando Flávio Marques de Almeida, lançado em 2004. “O professor Fernando Almeida foi homenageado pela Unicamp com o título de Doutor Honoris Causa em 1991, sendo de longe o maior geólogo brasileiro. Está com 95 anos de idade e atuante. Trabalho com ele desde que me formei na USP, primeiro como seu assistente e depois no IPT [Instituto de Pesquisas Tecnológicas] por 18 anos”.

O professor da Unicamp lembra que vários especialistas se dispuseram prontamente a contribuir, sendo que os capítulos do livro estão prontos desde 2008. “Ocorre que o livro não é comercial e dependemos de patrocínio. Como na obra sobre o professor Almeida, recorremos novamente à Petrobras, que, no entanto, deu a entender que queria a inclusão de geologia básica, com temas como do aquecimento global. Levamos o ano de 2010 para definir que ficaríamos com este livro, que será lançado no Congresso Brasileiro de Geologia do próximo ano, e depois produziríamos um segundo título”.

Celso Carneiro editou por oito anos a Revista Brasileira de Geociências – outra criação de Fernando Almeida e até hoje a mais importante publicação do país na área – e agora está à frente de uma revista da Unicamp, a Terrae Didática. Respaldado por esta experiência na edição, o professor assegura que o conteúdo de Geografia do Brasil não será em ‘geologuês’, facilitando a compreensão por pessoas pouco familiarizadas com as especialidades das ciências da terra. “Temos a obrigação de divulgar a geologia. É um trabalho que não conta para o Currículo Lattes, mas igualmente importante”.

quarta-feira, 4 de maio de 2011