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sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Norte e Nordeste atraem mais investimentos siderúrgicos

GAZETA MERCANTIL
São Paulo e Salvador, 15 de Agosto de 2008 -

O crescimento econômico acelerado e o desenvolvimento sempre maior do potencial de produção de minério de ferro têm estimulado investidores nacionais e internacionais a aplicar recursos na construção de novas usinas nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. "Há dois movimentos, um liderado pela Vale, que tem como motivação processar seu minério, outro liderado pela Gerdau, que tem como objetivo atender o crescimento da demanda", afirmou Marcos Barbieri, pesquisador do Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia (Neit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
De acordo com o Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), a produção total do Nordeste foi de 814 mil toneladas de aço bruto e representou apenas 2,4% da produção nacional. Mas os novos investimentos previstos, que somam US$ 22 bilhões, entre projetos anunciados e em estudo, devem ampliar a participação das duas regiões no total produzido no País. De fato, a Companhia Vale do Rio Doce, que prevê produzir este ano 325 milhões de toneladas de minério de ferro, possui no Pará capacidade para 100 milhões de toneladas, na serra Norte de Carajás. Atualmente a empresa já está investindo US$ 2,5 bilhões para ampliar a capacidade para 130 milhões de toneladas no local.

Além disso, começou a aplicar mais US$ 10 bilhões para desenvolver o que afirma ser o maior projeto de minério de ferro do mundo: a Carajás Serra Sul, que terá capacidade para produzir 90 milhões de toneladas. Hoje o minério produzido no Pará é praticamente todo voltado para exportação. Mas há alguns anos a Vale tem buscado parceiros para garantir o consumo de parte da produção paraense dentro do Brasil. Estudava com a chinesa Baosteel a construção de uma usina em São Luís, no Maranhão.

O projeto previa a instalação de uma siderúrgica ao lado do Porto de Itaqui, que recebe o minério transportado pela Estrada de Ferro Carajás, mas a instalação acabou sendo transferida para o Espírito Santo. Agora a companhia anuncia a construção de uma usina siderúrgica em Marabá (PA), mesmo sem a definição de um parceiro. Com custo estimado em US$ 3,3 bilhões, a usina terá capacidade para produzir 2,5 milhões de toneladas anuais de bobinas laminadas a quente, chapas grossas e tarugos e é uma resposta à pressão dos governos estadual e federal para que se criasse um pólo minero-siderúrgico na região. "Existe uma vontade grande do governo de impulsionar investimentos no Norte e Nordeste.

O Pará é extremamente rico em minerais, que exporta ou transporta para outras regiões para serem transformados", afirmou Ronaldo Valeño, sócio da PricewaterhouseCoopers. "A construção de uma siderúrgica, além de proporciona crescimento sustentável para o estado, com a criação de empregos e a atração da cadeia produtiva", completou. Além da Vale, também a Companhia Siderúrgica do Pará (Cosipar), produtora de ferro-gusa , já anunciou planos para a construção de uma usina. A unidade seria construída em parceria com a chinesa Minmetals Corporation. O projeto, estimado em US$ 2 bilhões, previa ter junto à Usipar, unidade de ferro-gusa a carvão mineral do grupo, uma aciaria com produção anual de 2 milhões de toneladas de placas a partir de 2012. Maranhão busca alternativa O Maranhão, que perdeu a chance de acolher a usina da Vale com a Baosteel, agora aguarda com grande expectativa a Companhia Siderúrgica de Mearim (CSM). O projeto pertence à carioca Aurizônia, e tem previsão de investimentos de pelo menos US$ 5 bilhões para uma usina que terá capacidade para 10 mil toneladas de aços planos ao ano, voltados principalmente para exportação.

O início da obra depende, basicamente, de licenciamento ambiental, que segundo o superintendente de metalurgia da Secretaria de Indústria e Comércio do Maranhão, Sérgio Antônio Guimarães, está prestes a ser concedida, liberando as obras já a partir do próximo mês. Também restam algumas definições por parte da Aurizônia, que ainda não anunciou se investimento e gestão serão inteiros seus ou se contará com algum parceiro nacional ou estrangeiro. O maior ganho para o Maranhão não virá diretamente da CSM, já que a Lei Kandir isenta de impostos produtos voltados para a exportação e não garante, por essa via, maior arrecadação ao estado ou município. "Um empreendimento deste porte atrai investimentos satélites, empresas prestadoras de serviço, de bens, insumos, alimentação, vigilância e tantos outros. Serão estes que pagarão impostos e gerarão novos empregos", disse Guimarães. Na contramão do desenvolvimento do estado, a CSM será implantada no município de Bacabeira, região movida por uma pequena economia de agricultura e pecuária, enquanto todos os investimentos se concentram na capital, São Luís, localizada a 50 quilômetros dali. A previsão é que a siderúrgica gere 5 mil empregos, além de outros 10 mil postos indiretos.

"O Maranhão tem um porto de proporções excepcionais, é o ponto mais próximo da costa dos Estados Unidos e da Europa, todo o minério de Carajás passa por aqui. É um ponto extremamente favorável para uma siderúrgica", ponderou o superintendente da secretaria do estado. "Mais da metade de nossa população vive abaixo da linha da miséria. Um empreendimento destes tem potencial para elevar o padrão de vida de um estado." Atendimento ao mercado Nos estados nordestinos mais ao leste, a atração de investimentos está mais relacionada ao aumento do consumo de aço, impulsionado pelo crescimento de renda da região. A Gerdau anunciou semana passsada que está estudando investir US$ 400 milhões em uma unidade para a produção de 1 milhão de toneladas de vergalhões, destinado à construção civil. A previsão é que após a entrada em operação, prevista para 2011, a usina gere 800 vagas de trabalho permanentes e envolva mais de 3 mil prestadores de serviços. Além disso, mais de 2 mil empregos deverão ser gerados durante a construção da unidade industrial. Atualmente a companhia de origem gaúcha possui três unidades na região Nordeste, onde mantém a Gerdau Usiba (BA), Gerdau Açonorte (PE) e Gerdau Cearense (CE). O grupo informou que futuras expansões para suas usinas siderúrgicas na Bahia e no Ceará estão em estudos e não há nada definido até o momento. A Bahia avalia porém a possibilidade de uma nova unidade do grupo. Na estado, a Usiba, localizada na região metropolitana de Salvador, produziu no ano passado 389 mil toneladas de aço bruto, o que representou 47,7% da produção nordestina. Segundo uma fonte do governo baiano, o empreendimento vai depender, porém, do êxito da prospecção de minério de ferro na região de Jussiape, na Chapada Diamantina.

O grupo requereu autorização ao Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM) e está investindo R$ 20 milhões em pesquisas na jazida local. A iniciativa faz parte de um plano estratégico da Gerdau. A empresa compra hoje 70% do minério que consome e pretende até 2010 inverter essa conta, buscando extrair de reservas próprias 80% de seu consumo de ferro, da ordem de 9,4 milhões de toneladas por ano. Com a demanda aquecida por commodities metálicas, que estimula a exploração mineral na Bahia, o objetivo do governo é verticalizar a produção do estado. O secretário de indústria, comércio e mineração, Rafael Amoedo, não descarta, em médio prazo, a consolidação de um pólo siderúrgico na região de Ilhéus, onde está sendo planejada a implantação de um complexo intermodal, reunindo porto, aeroporto e ferrovia, além de uma zona de processamento de exportação (ZPE). O novo terminal marítimo a ser construído, Porto Sul, deverá inicialmente escoar a produção da Bahia Mineração, que deve investir US$ 1,5 bilhão para produzir 25 milhões de toneladas de ferro por ano, em Caetité. O projeto prevê a instalação do complexo de mineração até 2010, quando, acredita o secretário, também será inaugurado o primeiro trecho da ferrovia Oeste-Leste, que transportaria o minério até o novo porto. Com a infra-estrutura a ser implantada, Amoedo não tem dúvida sobre a atração de novos empreendimentos e a consolidação do pólo siderúrgico. Além da Gerdau, também a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) já informou que estuda investir em uma unidade na região. Entre os estados que a empresa avaliava estava o Ceará, o Rio Grande do Norte e Pernambuco, mas este último tentou tomar a dianteira. O governo do estado chegou a informar que a empresa havia optado pelo Complexo Industrial de Suape, onde investiria US$ 6 bilhões para produzir 3,5 milhões de toneladas de aços laminados.
O início das obras seria 2009 e as operações começariam em 2012. A empresa negou a informação, mas informou que continua estudando construir uma usina no Nordeste.(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 1)(Luciana Collet, Juliana Elias, José Pacheco

domingo, 27 de julho de 2008

FERRO / DNPM - 3o DST / MG - MME BRASIL - IBRAM

I - OFERTA MUNDIAL
As reservas mundiais de minério de ferro (medidas mais indicadas) são da ordem de 370 bilhões de toneladas, destacando-se a Ucrânia (com 18,4% desaas reservas), a Rússia (15,1%), a China (12,4%), a Austrália (10,8%) e o Brasil (7,1%). Em termos de metal contido nas reservas o Brasil ocupa um lugar de destaque no cenário mundial, devido aos altos teores de ferro em seus minérios.
As reservas brasileiras, com um teor médio de 56,1% de ferro, estão localizadas, em sua quase totalidade, nos estados de Minas Gerais (63,1%), Pará (18,0%), e Mato Grosso do Sul (17,2%). A produção mundial de minério de ferro em 2006 foi de cerca de 1,69 bilhão de toneladas.
A produção brasileira representou 18,8% da produção mundial. Minas Gerais (72,7%) e Pará (12,8%) foram os principais estados produtores.
Fontes: DNPM/DIDEM; USGS-United States Geological Survey (Mineral Commodity Summaries – 2007)
II - PRODUÇÃO INTERNA
A produção brasileira de minério de ferro em 2006 totalizou 317,8 Mt (milhões de toneladas), com um teor médio de 65,3%. Em comparação com 2005 houve um aumento de 12,9%. O valor da produção atingiu R$ 20,8 bilhões. Essa produção está dividida entre 37 empresas que operaram 59 minas (todas a céu aberto) e utilizaram 53 usinas de beneficiamento. A recuperação média dessas usinas foi de 78,0%.
A Companhia Vale do Rio Doce S/A-CVRD e as empresas nas quais a CVRD tem participação produziram 280,4Mt (+12,7% em relação a 2005), assim distribuídas: CVRD (Minas Gerais/MG) - 116,3Mt (+7,3%), CVRD (Pará/PA) - 81,8Mt (+12,8%), CVRD (Mato Grosso do Sul/MS) - 1,4Mt (+24,6%), Minerações Brasileiras Reunidas S/A-MBR - 61,7Mt (+26,2%), Samarco Mineração S/A - 15,7Mt (+4,0%) e Mineração Ônix Ltda. (ex-Rio Verde Mineração Ltda.) - 3,5Mt (+26,5%). A Cia. Siderúrgica Nacional-CSN (MG) produziu 13,1Mt (-4,1%); a Mineração Corumbaense Reunida Ltda. (MS), 2,3Mt (+17,6%); a V & M Mineração Ltda. (MG), 2,7Mt (-20,5%), a Mineração J. Mendes Ltda. (MG), 2,5Mt (+7,0%) e a CFM-Companhia de Fomento Mineral (MG), 3,9Mt.
Essas dez empresas foram responsáveis por 96,7% da produção. Quanto ao tipo de produto a produção se dividiu em: granulados - 16,7 % e finos - 83,3 % (sinterfeed - 57,1% e pelletfeed - 26,2%).
A produção brasileira de pelotas em 2006 totalizou 50,5Mt (-3,0% em relação a 2005). A CVRD e suas coligadas (NIBRASCO, KOBRASCO, ITABRASCO e HISPANOBRAS) produziram 28,5Mt (+2,2%), no complexo de usinas instalado no Porto de Tubarão/ES. A CVRD produziu na Usina de Ponta da Madeira (São Luiz/MA), 4,1Mt (-33,6)% e na Usina de Fábrica (Congonhas/MG), 4,0MT (-5,7%). A SAMARCO (também coligada à CVRD) produziu 13,9Mt (+1,1%) nas suas duas usinas instaladas em Porto do Ubu(ES). A diminuição da produção de pelotas em 2006 se deveu à paralisação da Usina de Ponta da Madeira no período de abril a julho, em função da acumulação de estoques devida à queda da demanda por pelotas no priomeiro semestre.
O valor da produção de minério de ferro em 2006 representou 57,5% do valor da produção mineral brasileira. A indústria extrativa de minério de ferro gerou, em 2006, 28,6 mil empregos (16,5mil com vínculo empregatício e 12,1mil terceirizados).

III - IMPORTAÇÃO

Em 2006, de acordo com os dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (SECEX/MDIC), o Brasil importou, da Venezuela, 40t de minério de ferro com um valor de US$-FOB 19,0 mil. As importações de semimanufaturados totalizaram 938,3mt (mil toneladas) com um valor de US$-FOB 382,6milhões e os principais países de origem foram: Rússia (21,0%), Paraguai (14,0%), México (10,0%), Chipre (8,0%) e Japão (7,0%). Quanto aos produtos manufaturados as importações atingiram 1.887,7mt com um valor de US$-FOB 1,211,4milhões e os principais fornecedores foram: Espanha (28,0%), Argentina (8,0%), Ucrânia (7,0%), Alemanha (7,0%) e África do Sul (4,0%). As importações de compostos químicos de ferro atingiram 15,9mt com um valor de US$-FOB 32,6 milhões e os principais países de origem foram: China (25,0%), Argentina e Alemanha (18,0% cada), Estados Unidos (12,0%) e Itál.ia (7,0%).

IV - EXPORTAÇÃO

As exportações brasileiras de bens primários de ferro (minério e pelotas) em 2006 atingiram 242,5Mt, com um valor de US$-FOB 8.948,9 milhões, mostrando um aumento de 8,2% na quantidade e de 22,6% no valor das exportações em comparação com o ano anterior. Os principais países de destino foram: China (28,0%), Japão (13,0%), Alemanha (11,0%), França e Coréia do Sul (6,0% cada). Os principais blocos econômicos de destino foram: Ásia – exclusive Oriente Médio (42,0%), União Européia (35,0%) e Oriente Médio (4,0%). As exportações de produtos semimanufaturados de ferro totalizaram, em 2006, 12,1Mt com um valor de US$-FOB 4.003,2 milhões e os principais importadores foram Estados Unidos (50,0%), Coréia do Sul (7,0%) e Taiwan, México e Tailândia (6,0% cada). Foram exportadas 6,9Mt de produtos manufaturados, com um valor de US$-FOB 4.691,0 milhões e os principais países de destino foram: Estados Unidos (17,0%), China e Colômbia (6,0% cada), Argentina e , México (5,0% cada). O Brasil exportou, ainda, em 2006, 23,7mt de compostos químicos de ferro, com um valor de US$-FOB 24,6 milhões. Os principais compradores foram: Estados Unidos (24,0%), Argentina (13,0%), Alemanha (11,0%), Espanha e Reino Unido (10,0%). Espanha (11,0%), Reino Unido e Alemanha (9,0% cada).
V - CONSUMO INTERNO
O consumo interno de minério de ferro está concentrado na produção de ferro-gusa (usinas siderúrgicas integradas e produtores independentes) e na produção de pelotas. Com base nos dados de produção referentes a 2006 (32,5Mt de gusa e 50,5Mt de pelotas) e nos índices médios de consumo fornecidos pelas empresas produtoras (1,68t de minério/t de gusa e 1,08t de minério/t de pelotas) podemos estimar que o consumo interno de minério de ferro em 2006 foi de cerca de 109,0MT (54,5MT na fabricação de gusa e 54,6Mt na produção de pelotas). Em comparação com 2005 o consumo interno diminuiu 3,6%.
VI - PROJETOS EM ANDAMENTO E/OU PREVISTOS
A CVRD pretende ampliar a sua produção de minério de ferro para 450 milhões de toneladas em 2011. Dentre os projetos de expansão destacamos:
- A mina de Brucutu (São Gonçalo do Rio Abaixo/MG) deverá atingir sua capacidade máxima, 30 milhões de toneladas, no final de 2007.
- A Mina de Fazendão (Catas Altas//MG, com investimentos da ordem de US$ 155 milhões, atingirá a produção de 15,8 milhões de toneladas/ano, a partir de fevereiro de 2008.
- O “Projeto Itabiritos” da MBR (controlada pela CVRD) terá investimentos de US$ 759 milhões. Está prevista a construção de um usina de beneficiamento com capacidade de processar 10 milhões de toneladas/ano, na Mina do Pico (Itabirito/MG), uma usina de pelotização com capacidade de 7,0 milhões de toneladas/ano na Mina de Vargem Grande (Nova Lima/MG) e um mineroduto de cinco quilômetros ligando as duas unidades.
O projeto de expansão que está sendo realizado pela SAMARCO com investimentos da ordem US$1,183 bilhão, colocará a empresa no patamar de 21,6 MT de pelotas/ano, a partir de fevereiro/2008, praticamente dobrando sua capacidade de produção.

VII - OUTROS FATORES RELEVANTES

A Lei Complementar nº 87, de 10/09/1996 (“Lei Kandir”), publicada no DOU-Diário Oficial da União em 18/09/1996, isentou as empresas produtoras de minério de ferro do recolhimento do ICMS nas exportações, a partir de janeiro/1997. O Decreto nº 01, de 11/01/1991 (DOU-14/01/1991) regulamentou o pagamento da CFEM-Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais instituída pela Lei nº 7.990, de 11/12/1989 (DOU-14/12/1989). A CFEM, cuja alíquota para o minério de ferro é 2,0% (dois por cento), incide sobre o faturamento liquido, definido como o valor total das receitas de vendas, deduzidos os impostos incidentes sobre a comercialização, as despesas de transporte e seguros. A arrecadação da CFEM é distribuída entre o Município Produtor (65,0%), Estado (23,0%) e União (12,0%). Em 2006 a arrecadação da CFEM relativa ao minério de ferro atingiu cerca de R$ 280,0 milhões, o que representou cerca de 60,2 % da arrecadação total da CFEM.
O Brasil é o Segundo maior produtor de minério de Ferro com produção, em 2007, de 350
milhões de toneladas, equivalentes a 18,42% da produção mundial, que é de 1,9 bilhão de
ton. A China é o maior produtor, com 600 milhões de ton em 2007.
Principais empresas produtoras no Brasil: Vale-84%, CSN-5,8%, MMX-1%, MCR-0,6%,
outros - 8,6%. No Brasil os principais estados produtores são: MG (71%), PA (27%) e MS (1%).
Principais empresas produtoras no mundo: CVRD, Rio Tinto, BHPB, Anglo American.
A produção de pelotas atingiu, em 2007, 54 milhões de ton, sendo 6,9% maior do que
em 2006 (50,5 milhões de ton.).
As reservas medidas e indicadas de minério de ferro no Brasil alcançam
26 bilhões de ton, situando o País em quinto lugar em relação às reservas
mundiais de 370 bilhões de ton. Entretanto, considerando-se as
reservas em termos de ferro contido no minério, o Brasil assume lugar
de destaque no cenário internacional. Este fato ocorre devido ao alto
teor encontrado nos minérios hematita (60% de ferro) predominante
no Pará, e itabirito (50% de ferro) predominante em Minas Gerais.
As exportações brasileiras de bens primários de ferro em 2007 atingiram 269 milhões de toneladas, com um valor FOB de US$ 10,5 bilhões, mostrando
um aumento de 11% em quantidade e de 17% no valor das exportações em comparação com 2006. O total de investimentos previstos até 2011 é de US$ 14 bilhões nos
seguintes projetos: London Mining vai investir US$ 130 milhões para ampliar a produção
da Minas Itatiaiuçu com reservas de 260 milhões de ton. Hoje a produção
é de 500 mil ton e chegará a 3 milhões de ton/ano.

MMX vai investir US$ 2,35 bilhões no Sistema Minas-Rio (porto,
mineroduto, mina...), prevê a produção de 26,5 milhões de ton até
2011. Início em 2009. O projeto também prevê a construção de um
mineroduto que ligará a mina em MG ao porto no RJ, em São João da
Barra, com capacidade para transportar 24,5 milhões de ferro.

O mercado consumidor do minério de ferro é formado, principalmente,
pelas indústrias siderúrgicas.
Fonte: Sinferbase/USGS/DNPM

A mineradora Rio Tinto vai investir na Mina de Corumbá (MCR Minerção Corumbaense)
US$ 1 bilhão (mina e porto) para produzir 15 milhões toneladas/
ano até 2014. Hoje produz 2 milhões e prevê 7,5 milhões em 2010.
A companhia Mhag vai investir US$ 1,6 bilhão (mina, terminal de
carregamento), em 4 anos, para ampliar a produção em Jucurutu-RN para
3,6 milhões de ton/ano.
A CSN deve triplicar sua produção de minério de ferro em 2008. A recémadquirida
CFM deve produzir 8 milhões/ton em 2008. Investimento de
R$1,9 bilhão para aumentar a capacidade da Mina Casa de Pedra que passará
dos atuais 16 milhões para 45 milhões em 2009 e 53 milhões/ton/ano em 2010.
A CSN prevê exportar 10 milhões/ton em 2008 e 15 milhões/ton em 2009.
O grupo EBX planeja construir, por meio da subsidiária LLX Logística, mais
um ‘superporto’ de US$ 1,5 bilhão no País, mas prefere não antecipar sua
localização.
Em 2008 a Vale está investindo US$ 1,16 bilhão para aumentar a capacidade
de produção de Carajás para 130 milhões de toneladas. O total
do investimento será US$ 2,47 bilhões e a previsão de conclusão é para o
segundo semestre de 2009.
A Vale deve investir, até o final de 2008, US$ 379 milhões para expandir a
capacidade da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), e ainda investirá
US$ 341 milhões para construção de uma nova planta de pelotizaçãoem MG.
O Total dos investimentos para esses projetos é de 1.5 bilhão.
Va vai investir US$ 956 milhões para expandir a capacidade de transporte da
Estrada de Ferro Carajás (EFC) que transporta 70 milhões/ton/ano e passará
para 160 milhões/ton/ano até 2009.
O projeto Carajás Serra Sul, que ainda está sujeito à aprovação do Conselho
de Administração da Vale. Caso seja aprovado, a companhia vai investir
US$ 10 bilhões em mina, planta, ferrovia e porto até 2012.
Mhag
Produz 600 mil ton/ano de sinter feed em Jucurutu-RN. Transporte é feito por caminhão até Juazirinho-PB e por trem, pela Companhia Ferroviária do Nordeste
(CFN), até o porto de Suape (PE). A exportação é direcionada para o Oriente Médio. A meta da empresa é produzir 30 milhões de toneladas a partir de
2011, com uma etapa inicial de 10 milhões de toneladas em 2009. A mineradora pretende produzir pellet feed em Jucurutu e Bonito (RN), que será escoado
pelo porto do Mangue. Além da ampliação dessa região, a Mhag também pretende explorar a região de Cr uzeta (RN) e São Mamede (PB) London Mining
Produz 500 mil ton/ano de granulado para siderúrgicas. Com a Mina Itatiaiuçu a produção chegará a 3 milhões/ton em um ano e a 5 milhões/ton
em uma segunda fase.
Rio Tinto
Produz 2 milhões de ton/ano na mina de Corumbá (MCR), usa transporte fluvial (Rios Paraguai e Paraná) e marítimo. Produção para siderúrgicas na Europa
(Arcelor) e Argentina (Sidepar). Pretende produzir 15 milhões/ton/ano até 2014.
Mineração J. Mendes
A empresa foi recém-adquirida pela Usiminas.
V&M Mineração
Produz 3 milhões de ton/ano na mina de Pau Branco, que tem capacidade de produzir 4 milhões ton/ano. O minério é usado na siderúrgica da V&M.
MMX
Produz hoje 3 milhões de ton/ano (AVG e Corumbá). Em Corumbá, o minério é o granulado e o escoamento é feito por transporte rodoviário e ferroviário
até o porto na Argentina e daí para outros mercados. No Amapá o sistema irá produzir pellet feed e sinter feed, que serão escoados pela Estrada de Ferro do
Amapá e pelo terminal Portuário de Santana. O Sistema Minas-Rio, que começará a produzir pellet feed em 2009, fará o escoamento pelo mineroduto a ser
construído até o porto do Açu em São João da Barra (RJ).
CSN
Produz 20,5 milhões de ton/ano, sendo 16 milhões na Mina Casa de Pedra e 4,5 milhões da CFM recém-adquirida. No caso da Mina Casa de Pedra,
metade da produção é consumida pela siderúrgica da CSN, 25% são exportados e o restante fica em estoque. A parte exportada (5 milhões/ton em 2007)
é escoada via Porto de Itaguaí (RJ).
Vale
A previsão da Vale para 2008 é produzir 325 milhões de toneladas de finos e granulados (105 milhões-Carajás , 80 milhões MBR-Feterco, 140 milhões
Sistema Sudeste-Itabira). Em 2009 serão 360 milhões de toneladas. Até 2012, a produção da Vale atingirá a meta de 450 milhões de ton, com a produção de
Carajás chegando a 220 milhões de toneladas.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Editorial - Agência Estado Minas desprezadas agora geram fortunas


Minas desprezadas agora geram fortunas
São Paulo - 24 de Março de 2008
Outras empresas familiares já se viram diante de ofertas milionárias e até bilionárias como parte do processo frenético de consolidação dos ativos de minério de ferro localizados na Serra Azul. Desde o ano passado, além da J. Mendes, pelo menos outras quatro pequenas mineradoras foram adquiridas por grandes grupos em negócios milionários. A London Mining puxou a fila com a compra, em maio, da Minas Itatiaiuçu - em operação desde a década de 70 e dona de depósitos de 260 milhões de toneladas de minério.O valor do negócio não foi divulgado. Em meados do ano, a MMX, do empresário Eike Batista, adquiriu a AVG Mineração, localizada no município de Igarapé, por US$ 224 milhões. Por meio da AVX Mineração, a MMX também comprou a Minerminas, por US$ 125 milhões. Na mesma época, a Companhia de Fomento Mineral (CFM) foi adquirida pela CSN pelo montante de US$ 440 milhões. "A vida inteira os mineradores daquela região lutaram muito. Nunca tiveram muita facilidade, até porque essas empresas eram limitadas em termos de logística, de acesso a mercados, e forneciam basicamente para o parque guseiro.
O excesso de minério, eles vendiam para a própria Vale", observa uma importante fonte do setor, que acompanhou de perto a operação da Usiminas com a J. Mendes. "Nesse período todo, eles também fizeram pouco investimento em pesquisa geológica. Muitos não tinham a dimensão da reserva." O fato inquestionável é que o boom mundial do minério de ferro serviu para reverter a lógica da viabilidade econômica do produto. "Quem era do setor procurava as jazidas onde o teor de minério de ferro era mais alto. E o teor ali era mais baixo. Então eles não eram muito assediados pelas mineradoras maiores." Mas, quando os grandes players perceberam a disponibilidade de reservas, teve início um verdadeiro leilão.

O presidente da London Mining, Luciano Ramos, admite que a companhia, ao focar em projetos no exterior, "perdeu o time" para aquisições na região. "A Serra Azul tem uma condição privilegiada. É um minério de boa qualidade, com uma logística pronta, disponível. Além disso, as minas estão em operação, o que evita todo o processo de obtenção de licenças ambientais", destacou. "Quando você parte para a expansão, o processo tende a ser expressivamente mais rápido.
" Atualmente, entre os poucos ativos que restam na região estão duas mineradoras localizadas na pequena Itatiaiuçu: a Minerita e a MBL, dos irmãos Dílson e Edson Fonseca da Silva. Juntas, as duas mineradoras possuiriam reservas de até 450 milhões de toneladas, conforme informações não oficiais. Contatado pelo Estado, Dílson Fonseca da Silva se recusou a dar entrevista.
Minas desprezadas agora geram fortunas
Outras empresas familiares já se viram diante de ofertas milionárias e até bilionárias como parte do processo frenético de consolidação dos ativos de minério de ferro localizados na Serra Azul. Desde o ano passado, além da J. Mendes, pelo menos outras quatro pequenas mineradoras foram adquiridas por grandes grupos em negócios milionários. A London Mining puxou a fila com a compra, em maio, da Minas Itatiaiuçu - em operação desde a década de 70 e dona de depósitos de 260 milhões de toneladas de minério.O valor do negócio não foi divulgado. Em meados do ano, a MMX, do empresário Eike Batista, adquiriu a AVG Mineração, localizada no município de Igarapé, por US$ 224 milhões. Por meio da AVX Mineração, a MMX também comprou a Minerminas, por US$ 125 milhões. Na mesma época, a Companhia de Fomento Mineral (CFM) foi adquirida pela CSN pelo montante de US$ 440 milhões. "A vida inteira os mineradores daquela região lutaram muito. Nunca tiveram muita facilidade, até porque essas empresas eram limitadas em termos de logística, de acesso a mercados, e forneciam basicamente para o parque guseiro.
O excesso de minério, eles vendiam para a própria Vale", observa uma importante fonte do setor, que acompanhou de perto a operação da Usiminas com a J. Mendes. "Nesse período todo, eles também fizeram pouco investimento em pesquisa geológica. Muitos não tinham a dimensão da reserva." O fato inquestionável é que o boom mundial do minério de ferro serviu para reverter a lógica da viabilidade econômica do produto. "Quem era do setor procurava as jazidas onde o teor de minério de ferro era mais alto. E o teor ali era mais baixo. Então eles não eram muito assediados pelas mineradoras maiores." Mas, quando os grandes players perceberam a disponibilidade de reservas, teve início um verdadeiro leilão.
O presidente da London Mining, Luciano Ramos, admite que a companhia, ao focar em projetos no exterior, "perdeu o time" para aquisições na região. "A Serra Azul tem uma condição privilegiada. É um minério de boa qualidade, com uma logística pronta, disponível. Além disso, as minas estão em operação, o que evita todo o processo de obtenção de licenças ambientais", destacou. "Quando você parte para a expansão, o processo tende a ser expressivamente mais rápido.
" Atualmente, entre os poucos ativos que restam na região estão duas mineradoras localizadas na pequena Itatiaiuçu: a Minerita e a MBL, dos irmãos Dílson e Edson Fonseca da Silva. Juntas, as duas mineradoras possuiriam reservas de até 450 milhões de toneladas, conforme informações não oficiais. Contatado pelo Estado, Dílson Fonseca da Silva se recusou a dar entrevista.